História da Língua Portuguesa

O Português Arcaico

Segundo Mattos e Silva (?), em geral os historiadores definem um limite inicial para o período arcaico que tem como indicador básico o surgimento dos primeiros documentos escritos em português. A imagem abaixo, Notícia do Torto (1211-1216) é um dos primeiros documentos particulares que se tem notícia.

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 É lugar comum para os estudiosos da Linguística afirmarem que a delimitação desse período coloca em jogo diversos fatores (linguísticos, sócio-históricos, etc.). Sendo assim, a classificação (também chamada de periodização) em períodos é uma tentativa que se dá a posteriori e basicamente tem fins didáticos, isso por que quando se marca o início de um período o anterior não se encerra de imediato. Eles coexistem até que as ocorrências de um vá diminuido e sendo superadas pelas do momento "atual".
Para Ilari e Basso (2006) os textos desse período (final do século XVIII até o meados do século XVI, aproximadamente), são considerados de difícil leitura por conto de três fatores: o surgimento da língua escrita, daí podemos inferir a dificuldade de regulamentar, normatizar, controlar a escrita naquele momento visto que a ortografia não estava totalmente fixada; diferenças de ordem linguística; diferenças de ordem cultural, que refere-se, entre outras coisas, aos interesses distintos entre aquele povo e os de "hoje".
O português arcaico apresenta uma série de características linguísticas, representadas na documentação escrita remanescente, que fundamenta a oposição entre o português arcaico e o moderno, para outro designado como clássico.

O trecho abaixo foi escrito na segunda metade do século XIII. Trata-se de uma carta comunicando à chanceleria do rei Afonso III a intenção do Concelho (distrito) de Abrantes de refazer e inaugurar um muro, naquele concelho (os documentos de chanceleria, a cujo conjunto pertence o texto, constituem um importante acervo de documentos medievais que se preservaram até os nossos dias). Ilari e Basso  (2006).

Português arcaico
Carta dos Juyzes do Concelho de Aurãtes p(er)a faz(er)em e refazere o Muro do dito Castelo de Aurãtes. Conoscã todos aq(eu)les q(eu) esta uir~e e ouuir~e q(ue) nos Juyzes e Concelho de Aurãtes de nossas liures uoontades entendendo a faz(er) nossa p(ro)l de nossos corpos e de nossa t(er)ra e de nossos aueres ficamos  e outorgamos que façamos e refaçamos o Muro de Castelo de Aurãtes...
Tradução para o português moderno
Carta dos Juízes do Concelho de Abrantes para fazerem e refazerem o muro do dito Castelo de Abrantes. Conheçam todos aqueles que esta virem e ouvirem que nós, Juízes e Concelho de Abrantes, de nossa livre vontade, no intento de fazer o melhor proveito de nossos corpos, de nossas terras e de nossos haveres, estabelecemos e decidimos que façamos e refaçamos o  muro do Castelo de Abrantes...
E então, que diferenças você observa a partir da leituras do dois textos? Que particuladridades no aspecto ortográfico você notou? Sinta-se convidado a registrar suas impressões na página "COMENTÁRIO". 
Referências
ILARI, R.; BASSO, R. Português da gente: a língua que estudamos a língua que falamos. Contexto: São Paulo, 2006. p. 21, 28.
SILVA, R. V. M. e. A língua portuguesa em perspectiva histórica, do português europeu para o português brasileiro: algumas questões. UFBA/CNPq, 1999. Disponível em: http://www.pr.ohpor.ufba.br/perspectiva.html.
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Novos indicadores para os limites do Português Arcaico. UFBA/CNPq. Ano  da publicação: ?