História da Língua Portuguesa

O Português Contemporâneo: Séc. XX e XXI

 

Ao abordarmos o assunto contemporaneidade em qualquer língua, devemos levar em consideração que a língua é viva, está sempre em constante mutação, sendo influenciada por vários aspectos que vão desde os sócio-políticos até a modificação natural que algumas palavras sofrem por seus falantes.

Com o Português não é diferente. A língua que é uma das mais falada do mundo (cerca de 250.000.000 de falantes) e é a língua oficial de oito países: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste, costuma passar por constantes modificações. A mais recente foi o novo acordo ortográfico que entrou em vigor em janeiro de 2009, com a intenção de unificar a língua portuguesa nos oito países em que a mesma assume o posto de língua oficial. Porém, essa não foi a primeira tentativa de unificação, desde o início do século XX, busca-se estabelecer um modelo de ortografia que possa ser usado como referência nas publicações oficiais e no ensino. No Brasil já houve três reformas ortográficas: em 1943, 1971 e 2009.

Outros fatores importantes que influenciam essa constante transformação da língua portuguesa são: o estrangeirismo, neologismos e gírias, a influência da internet na linguagem e a variação lingüística. Ressaltando, que esses são apenas alguns exemplos de agentes modificadores que estão presentes atualmente em nossa língua, inúmeros outros contribuem para a evolução e/ou modificação do português.

O estrangeirismo que é o processo que introduz palavras vindas de outros idiomas na língua portuguesa  possui duas categorias:

1.       Aportuguesamento: a grafia e a pronúncia da palavra são adaptadas para o português. Exemplo: abajur (do francês "abat-jour")

2.       Sem aportuguesamento: conserva-se a forma original da palavra. Exemplo: mouse (do inglês "mouse")

A maioria das palavras da língua portuguesa tem origem latina, grega, árabe, espanhola, italiana, francesa ou inglesa. Essas palavras são introduzidas em nossa  língua por diversos motivos, sejam eles fatores históricos, socioculturais e políticos, modismos ou avanços tecnológicos. As palavras estrangeiras  geralmente passam por um processo de aportuguesamento fonológico e gráfico. A Academia Brasileira de Letras, órgão responsável pelo Vocabulário Ortográfico de Língua Portuguesa, tem função importante no aportuguesamento dessas palavras.

As pessoas, em geral, estão tão acostumadas com a presença dos estrangeirismos na língua que, muitas vezes, desconhecem que uma série de palavras tem sua origem em outros idiomas.


Os neologismos podem ser criados a partir de palavras da própria língua do país (como as palavras "presidenciável" e "carreata", por exemplo) ou a partir de palavras estrangeiras ("roqueiro" e "deletar", por exemplo). No processo de criação de palavras novas, merecem destaque as gírias, que surgem num determinado grupo social e, por sua expressividade, acabam sendo incorporadas à linguagem coloquial de outras camadas sociais.

A gíria é um fenômeno de linguagem especial que consiste no uso de uma palavra não convencional para designar outras palavras formais da língua. Pode ser empregado no intuito de fazer segredo, humor ou distinguir o grupo que a adota dos demais, muitas vezes  criando um jargão próprio. Assim,  como uma expressão idiomática, é uma palavra que se caracteriza por não permitir a identificação do seu significado através de seu sentido literal. Por essa razão, também não é possível traduzi-la para outra língua de modo literal. As gírias geralmente se originam de acordo com a cultura e peculiaridades de cada região.

Atualmente a internet exerce grande influência na linguagem principalmente dos jovens, para comunicarem-se com mais rapidez os internautas estão criando novas formas de linguagem. O “internetês”, que é uma simplificação informal da escrita. Consiste numa codificação que utiliza caracteres alfanuméricos (emoticons) e a redução de letras das palavras. Por exemplo: também = tb, teclar = tc, aqui = aki.

Algumas pessoas acreditam que esta linguagem utilizada na Internet e nos celulares não afeta e nem deve ser considerada ameaça à escrita culta da língua portuguesa, pois é mais um modismo dos jovens diante das tecnologias a eles apresentadas.

A utilização destes códigos e abreviações utilizadas pelos internautas acredita-se que podem ser considerados um dos grandes marcadores identitários da Internet. É uma característica de identidade virtual, pois são os internautas os criadores desta nova linguagem.

Finalmente ao falarmos em variação linguística tomamos como base que todas as línguas à possuí. Elas podem ser entendidas por meio de sua história no tempo (variação histórica) e no espaço (variação regional). As variações lingüísticas podem ser compreendidas a partir de três diferentes fenômenos:

1.       Em sociedades complexas convivem variedades lingüísticas diferentes, usadas por diferentes grupos sociais, com diferentes acessos à educação formal; note que as diferenças tendem a ser maiores na língua falada que na língua escrita;

2.        Pessoas de mesmo grupo social expressam-se com falas diferentes de acordo com as diferentes situações de uso, sejam situações formais, informais ou de outro tipo;

3.       Há falares específicos para grupos específicos, como profissionais de uma mesma área (médicos, policiais, profissionais de informática, metalúrgicos, alfaiates, por exemplo), jovens, grupos marginalizados e outros. São as gírias e jargões.

Podemos perceber que a variação lingüística abrange um pouco dos fatores modificadores da língua acima citados, o falar muda de acordo com a região, o meio social, faixa etária dentre outras características assumidas pelo grupo de falantes de determinada língua.

Assim, além do português padrão, há outras variedades de usos da língua cujos traços mais comuns podem ser evidenciados em:

Uso de “r” pelo “l” em final de sílaba e nos grupos consonantais: pranta/planta; broco/bloco;

Alternância de “lh” e “i”: muié/mulher; véio/velho;

Ausência de concordância verbal quando o sujeito vem depois do verbo: “Chegou” duas moças;

Desnasalização das vogais postônicas: home/homem;

Simplificação da conjugação verbal: eu amo, você ama, nós ama, eles ama.

Redução do “e” ou “o” átonos: ovu/ovo; bebi/bebe.

Ao abordarmos o assunto contemporaneidade em qualquer língua, devemos levar em consideração que a língua é viva, está sempre em constante mutação, sendo influenciada por vários aspectos que vão desde os sócio-políticos até a modificação natural que algumas palavras sofrem por seus falantes.

Com o Português não é diferente. A língua que é uma das mais falada do mundo (cerca de 250.000.000 de falantes) e é a língua oficial de oito países: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste, costuma passar por constantes modificações. A mais recente foi o novo acordo ortográfico que entrou em vigor em janeiro de 2009, com a intenção de unificar a língua portuguesa nos oito países em que a mesma assume o posto de língua oficial. Porém, essa não foi a primeira tentativa de unificação, desde o início do século XX, busca-se estabelecer um modelo de ortografia que possa ser usado como referência nas publicações oficiais e no ensino. No Brasil já houve três reformas ortográficas: em 1943, 1971 e 2009.

Outros fatores importantes que influenciam essa constante transformação da língua portuguesa são: o estrangeirismo, neologismos e gírias, a influência da internet na linguagem e a variação lingüística. Ressaltando, que esses são apenas alguns exemplos de agentes modificadores que estão presentes atualmente em nossa língua, inúmeros outros contribuem para a evolução e/ou modificação do português.

O estrangeirismo que é o processo que introduz palavras vindas de outros idiomas na língua portuguesa  possui duas categorias:

1.       Aportuguesamento: a grafia e a pronúncia da palavra são adaptadas para o português. Exemplo: abajur (do francês "abat-jour")

2.       Sem aportuguesamento: conserva-se a forma original da palavra. Exemplo: mouse (do inglês "mouse")

A maioria das palavras da língua portuguesa tem origem latina, grega, árabe, espanhola, italiana, francesa ou inglesa. Essas palavras são introduzidas em nossa  língua por diversos motivos, sejam eles fatores históricos, socioculturais e políticos, modismos ou avanços tecnológicos. As palavras estrangeiras  geralmente passam por um processo de aportuguesamento fonológico e gráfico. A Academia Brasileira de Letras, órgão responsável pelo Vocabulário Ortográfico de Língua Portuguesa, tem função importante no aportuguesamento dessas palavras.

As pessoas, em geral, estão tão acostumadas com a presença dos estrangeirismos na língua que, muitas vezes, desconhecem que uma série de palavras tem sua origem em outros idiomas.


Os neologismos podem ser criados a partir de palavras da própria língua do país (como as palavras "presidenciável" e "carreata", por exemplo) ou a partir de palavras estrangeiras ("roqueiro" e "deletar", por exemplo). No processo de criação de palavras novas, merecem destaque as gírias, que surgem num determinado grupo social e, por sua expressividade, acabam sendo incorporadas à linguagem coloquial de outras camadas sociais.

A gíria é um fenômeno de linguagem especial que consiste no uso de uma palavra não convencional para designar outras palavras formais da língua. Pode ser empregado no intuito de fazer segredo, humor ou distinguir o grupo que a adota dos demais, muitas vezes  criando um jargão próprio. Assim,  como uma expressão idiomática, é uma palavra que se caracteriza por não permitir a identificação do seu significado através de seu sentido literal. Por essa razão, também não é possível traduzi-la para outra língua de modo literal. As gírias geralmente se originam de acordo com a cultura e peculiaridades de cada região.

Atualmente a internet exerce grande influência na linguagem principalmente dos jovens, para comunicarem-se com mais rapidez os internautas estão criando novas formas de linguagem. O “internetês”, que é uma simplificação informal da escrita. Consiste numa codificação que utiliza caracteres alfanuméricos (emoticons) e a redução de letras das palavras. Por exemplo: também = tb, teclar = tc, aqui = aki.

Algumas pessoas acreditam que esta linguagem utilizada na Internet e nos celulares não afeta e nem deve ser considerada ameaça à escrita culta da língua portuguesa, pois é mais um modismo dos jovens diante das tecnologias a eles apresentadas.

A utilização destes códigos e abreviações utilizadas pelos internautas acredita-se que podem ser considerados um dos grandes marcadores identitários da Internet. É uma característica de identidade virtual, pois são os internautas os criadores desta nova linguagem.

Finalmente ao falarmos em variação linguística tomamos como base que todas as línguas à possuí. Elas podem ser entendidas por meio de sua história no tempo (variação histórica) e no espaço (variação regional). As variações lingüísticas podem ser compreendidas a partir de três diferentes fenômenos:

1.       Em sociedades complexas convivem variedades lingüísticas diferentes, usadas por diferentes grupos sociais, com diferentes acessos à educação formal; note que as diferenças tendem a ser maiores na língua falada que na língua escrita;

2.        Pessoas de mesmo grupo social expressam-se com falas diferentes de acordo com as diferentes situações de uso, sejam situações formais, informais ou de outro tipo;

3.       Há falares específicos para grupos específicos, como profissionais de uma mesma área (médicos, policiais, profissionais de informática, metalúrgicos, alfaiates, por exemplo), jovens, grupos marginalizados e outros. São as gírias e jargões.

Podemos perceber que a variação lingüística abrange um pouco dos fatores modificadores da língua acima citados, o falar muda de acordo com a região, o meio social, faixa etária dentre outras características assumidas pelo grupo de falantes de determinada língua.

Assim, além do português padrão, há outras variedades de usos da língua cujos traços mais comuns podem ser evidenciados em:

Uso de “r” pelo “l” em final de sílaba e nos grupos consonantais: pranta/planta; broco/bloco;

Alternância de “lh” e “i”: muié/mulher; véio/velho;

Ausência de concordância verbal quando o sujeito vem depois do verbo: “Chegou” duas moças;

Desnasalização das vogais postônicas: home/homem;

Simplificação da conjugação verbal: eu amo, você ama, nós ama, eles ama.

Redução do “e” ou “o” átonos: ovu/ovo; bebi/bebe.


 

A Língua Portuguesa e o Mundo



     O estudo da história da língua portuguesa no mundo é de fundamental importância na busca da nossa identidade enquanto latino americanos do sul, cuja fala difere dos demais representantes enquadrados nesta categoria e, discutir e estudar o português contemporâneo fortalece ainda mais essa descoberta de identidade. Ao trabalharmos com a língua portuguesa contemporânea buscamos direcionar nossa visão mais basicamente para a questão da representatividade que tem hoje a nossa língua no cenário mundial, o número de falantes oficiais e não oficiais, a sua distribuição espacial, a importância política que estas nações tem, etc.
     Vimos o quanto à presença do Brasil é marcante e decisiva para o fortalecimento da língua portuguesa no mundo, o quanto a nossa música, a nossa literatura, o nosso futebol, nossas novelas, nossa política, nosso jeito de falar são fatores contribuintes para fazer da língua portuguesa um pouco mais forte e viva. Vimos que somos os maiores em número de falantes oficiais da língua, vimos que somos a ex-colônia de maior prestígio hoje no cenário mundial entre os falantes do português. Vimos o quanto os acordos políticos como o MERCOSUL e a União Européia são determinantes para o fortalecimento também de uma língua, não só no campo político mas também no econômico. Ao estudarmos a história dos países da comunidade falante da língua portuguesa entendemos como a unificação e o fortalecimento de uma língua é importante para a manutenção da unidade nacional e vimos isso quando estudamos a invasão do Timor, logo após a declaração de sua independência. Invadido pela Indonésia, esta tomou imediatamente a decisão de proibir o uso da língua portuguesa, pois sendo a língua um fator de unificação e fortalecimento, a resistência poderia ser maior.     
     Ficou evidenciado, a partir do estudo da história da língua portuguesa, o quanto as línguas podem sofrer modificações ao longo do tempo e que essas modificações são naturais e podem servir para o fortalecimento da língua, para modernizá-la e torná-la prática e atraente às novas gerações.
     O estudo do português contemporâneo nos mostra que essas modificações  continuam ocorrendo, que a língua sofre influências das mais diversas, que vão desde condições e características espaciais e geográficas até as interferências da presença de outras línguas que são os neologismos tão comuns na nossa língua portuguesa.
     A língua portuguesa contemporânea, embora muitos acreditem tenha perdido força e prestígio vem mostrando sinais de que ainda resiste bem às agruras que vem sofrendo ao longo da história  e mais do que resistência ela tem buscado demonstrar que almeja  o fortalecimento e a difusão ainda maior desta pelo mundo. Um bom exemplo desta tentativa de expansão é a assinatura do novo acordo ortográfico que, tornando a escrita da língua unitária visa principalmente o fortalecimento desta no cenário político.
     As manifestações culturais em língua portuguesa é também mais um indício de que nossa língua é forte e representativa. A premiação de José Saramago com o Prémio Nobel de Literatura em 1998 é um fator que vem corroborar com essa afirmativa e certamente fez os olhos do mundo se voltarem um pouco mais sobre essa língua quase desconhecida ou esquecida.
     Portanto, compreender os processos de evolução das línguas, entender que desses processos depende mesmo a resistência desta língua, que a unidade linguística fortalece uma nação nos faz refletir sobre as nossas responsabilidades com relação a nossa língua.
     Fernando Pessoa um dia disse e nunca, nem antes nem depois foi tão eloquente, que sua pátria era a língua portuguesa e é assim que devemos nos colocar no mundo, como filhos de uma pátria forte a qual devemos amar e respeitar sem no entanto resguardá-la intacta das influencias do mundo.